Uma manifestação de caminhoneiros interdita
diversas estradas do País nesta terça-feira. A paralisação tem alcance
nacional e começou na quarta-feira passada, em protesto contra
alterações trazidas pela Lei 12.619, que permitiu a entrada de 600 mil
veículos na operação de frete. Isso teria gerado concorrência desleal.Outras
mudanças rejeitadas pelos caminhoneiros são a obrigatoriedade do uso do
cartão-frete, que teria inviabilizado as operações de recebimento e
pagamento e a regulamentação do tempo de direção, que exige descanso
obrigatório de 11h por dia e 30 minutos de pausa a cada quatro horas
trabalhadas, sem oferecer melhoria de infraestrutura para isso nas
estradas.
Santa Catarina De acordo com a
Polícia Rodoviária Federal, a pista da BR 282 está parcialmente
interditada por período indeterminado nos km 605, 406,5 e 645, nas
cidades de Maravilha, Catanduva e São Miguel do Oeste, respectivamente.
Nesses locais, o trânsito está liberado apenas para veículos de passeio,
ônibus, cargas perecíveis e ambulâncias. Outra
interdição foi realizada no km 110 da BR 158, no km 121 da BR 163 e no
km 123,7 da BR 480, nas cidades de Cunha Porã, Dionísio Cerqueira e
Chapecó. Nas cidades de Xanxere (km 505) e Concórdia (km 90) o movimento
foi encerrado às 19h e 16h30, respectivamente, nessa segunda-feira.
Espírito Santo No
Espirito Santo, a BR 262, na altura do Km 9,5, em Viana, está bloqueada
nos dois sentidos. O mesmo acontece na BR 101, no km 284,5, em
Cariacica, onde a estrada está totalmente bloqueada. Em Iconha, no km
374 da BR 101, há uma faixa liberada, mas a estrada segue interditada.
Em Linhares, no km 158 da BR 101, passam apenas carros de passeio e
ônibus. As informações são da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Paraná Já no Paraná segundo a PRF, estão liberados apenas carros e ônibus nos
Km 118 (Campo Largo) e 399 (Guarapuara) da BR 277. Na BR 376
(Apucarana), foi bloquado o km 323. Em Toledo, a BR 467 foi interditada
no Km 78, e em Peabiru, na BR 158, o Km 207. Na BR 487 a estrada, em
Campo Mourão, foi interditada no Km 196. Em Medianeira, no km 670 da BR
277. Foi bloqueado também o km 452 da BR 277 em Laranjeiras do Sul. Na
BR 163, foram bloqueados os km: 7 (Barracão), 42 (Ranchita), 64,5
(Pérola do Oeste) e 85,5 (Capanema).
Rio Grande do Sul Em Porto Alegre, os manifestantes ocupam a Ponte Móvel, no km 97 da BR
290. A mesma estrada foi bloqueada no sentido capital, na altura do km
97 e tem as regiões de Canoas e São Leopoldo congestionadas. A BR 116,
na região metropolitana de Porto Alegre, também tem trânsito intenso.
Rio de Janeiro De
acordo com o boletim das 10h da CCR Nova Dutra, concessionária da
rodovia Presidente Dutra, a estrada para o Rio de Janeiro está
interditado do km 24,2 até o 25,5, em Lavrinhas (SP). Não há lentidão ou
congestionamento nesse trecho. Em Resende (RJ), há quatro km de
congestionamento na altura do km 302, com caminhões estacionados no
acostamnto e a faixa da esquerda liberada.
Ainda
na estrada para o Rio, há 1,5 km de congestionamento no km 290,
passando por Porto Real. O mesmo ocorre em Barra Mans, na altura do Km
273,5, onde os veículos param por 14 km, e no Km 276, onde são 11 km
congestionados. Em Piraí, na altura do Km 228, há um quilômetro de
lentidão, onde os caminhões estão no acostamento e na faixa direita, mas
a faixa da esquerda está livre. Em São Paulo, a Dutra está bloqueada na
altura do quilômetro 276.A intenção dos grevistas é
impedir que caminhões abastecidos de alimentos cheguem à Companhia
Estadual de Abastecimento (Ceasa). Já há risco de desabastecimento de
alguns produtos. O clima é tenso no bloqueio. Por alguns momentos, fica
aberta apenas uma faixa, mas na maioria do tempo os motoristas
simplesmente não conseguem passar pelo local no terceiro dia de greve
dos caminhoneiros. Os grevistas, munidos de paus e pedras, tentam
intimidar possíveis "fura-greve".
O
congestionamento em Barra Mansa já ultrapassa 15 km e a Polícia
Rodoviária Federal afirma que tem apenas 10 homens para controlar o
movimento. Há pelo menos outros três pontos de bloqueio ao longo da via.
Preocupado com o aumento da adesão ao movimento, o
ministro dos transportes Paulo Sérgio Passos convocou uma reunião com
os grevistas para a tarde desta terça-feira em Brasília. O primeiro
encontro é com a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), contrária à
paralisação. Depois, terá reunião com o Movimento União Brasil
Caminhoneiro (MUBC), que deu início à mobilização.
Polêmica Dirigentes
de duas confederações nacionais de trabalhadores da área de transporte
afirmam que as manifestações de caminhoneiros em rodovias brasileiras
têm a participação direta de empresários, o que indicaria a ocorrência
de locaute (greve patronal). O Artigo 17 da Lei Federal 7.783, em vigor
desde 1989, proíbe a paralisação de atividades por iniciativa do
empregador. Para o presidente da CNTT, os
empresários do setor estão usando os trabalhadores para manter seus
custos reduzidos e não abrir novos postos de trabalho. O movimento alega
que as exigências impostas pela lei são "inviáveis por falta de
infraestrutura nas estradas". Sancionada em abril deste ano, a lei
tornou obrigatório, desde o final de junho, o controle de jornada de
todos os motoristas que trabalham no transporte rodoviário de cargas e
passageiros.Conforme a nova legislação, os
motoristas devem fazer uma jornada de trabalho de oito horas diárias,
com no máximo duas horas extras, além de uma pausa de trinta minutos a
cada quatro horas trabalhadas. A lei alterou artigos da Consolidação das
Leis Trabalhistas (CLT) e do Código de Trânsito Brasileiro. Os
profissionais que não cumprirem as regras poderão ser multados pela
Polícia Rodoviária Federal.